Eu, Tonya: Margot Robbie e Allison Janney ganham as atenções do Oscar

Passados exatos 24 anos após o escândalo esportivo de 1994, a história da patinadora artística Tonya Harding, a primeira americana a conseguir um salto triplo axel em competições, ganhou sua própria cinebiografia, que vem sendo aclamada pelo público e crítica, levando a resultados mais que satisfatórios garantindo merecidamente sua participação na cerimônia do Oscar 2018.

Com um roteiro criativo, humor negro, caracterizações extremamente fiéis e atuações notórias, o longa dirigido por Craig Gillespie conduz a versão dos fatos pelo ponto de vista da ex-patinadora de gelo, banida do esporte pela acusação de planejar e executar juntamente a seu marido Jeff Gilloly, um ataque para incapacitar sua rival Nancy Kerringan durante um campeonato dos Estados Unidos em 94.

Através de intercessão de entrevistas e dinâmicas de tela como a quebra da quarta parede, Eu, Tonya possui uma narrativa sem nenhum glamour, voraz e ao mesmo tempo bem humorada, o que faz o telespectador querer mais e mais para chegar até a sua conclusão. O roteirista Steven Rogers (P.S. Eu Te Amo) utiliza de forma inteligente e intuitivamente sarcástica os seus textos no longa, já que apesar de ser uma biografia existem várias versões dos fatos.

Sebastian Stan (Jeff Gillooly) e Margot Robbie (Tonya Harding)

Figurinos e maquiagem são importantes para qualquer produção fílmica, e aqui não é diferente, a fidelidade na representação dos personagens não passa despercebido, associados as interpretações verossímeis dos protagonistas se torna fácil se deixar levar pela trama.

O ator Sebastian Stan, que dá vida ao Jeff Gillooly, entrega uma excelente atuação, em meio a desastrosa e abusiva relação com a protagonista, aqui ele mostra seu real talento para o drama, sendo tão diferente do que estamos acostumados a ver, o CGI em seu trabalho como o soldado invernal.

“Margot Robbie e Allison Janney abrilhantam ainda mais a lista dos indicados ao Oscar”

Margot Robbie entrega a melhor atuação de sua carreira até o presente momento na pele da protagonista Tonya Harding, superando inclusive sua personagem mais reconhecida mundialmente, a insana Arlequina de Esquadrão Suicida. A atriz interpreta várias fases da vida de Harding, mostrando os problemas familiares, glórias e derrotas vividas durante a carreira da personagem. Ela nos faz rir, transmite sofrimento, e sentimento de pena após a decisão judicial extrema de bani-la do esporte – uma performance mais que merecida de ser lembrada na premiação.

E o trabalho da atriz coadjuvante Allison Janey (LaVona Golden) não fica nem um pouco atrás, mesmo com inúmeros apetrechos e roupas em sua caracterização, ela consegue brilhantemente interpretar a conturbada relação entre mãe e filha. Sua personagem tem a capacidade de nos fazer odiá-la durante a maior parte do longa.

Com uma crítica explícita, Eu, Tonya faz uma referência à ditadura da boa imagem de atletas e famosos, nos quais estamos sempre esperando e nos espelhando em sua exemplar e ideal conduta perante os outros. E para quem quiser conferir Eu, Tonya, o filme tem sua estreia marcada para o dia 15 de fevereiro nos cinemas brasileiros.

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